Síndrome de Pânico e Fobia Social

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Síndrome de Pânico e Fobia Social

Lyndie N. Mornith

(Traduzido por in4chance)



O que é fobia social?

A ansiedade em excesso pode manifestar-se sob a forma de fobias. No caso da fobia social, a ansiedade surge de situações sociais como por exemplo, ir a reuniões, falar em público, fazer reclamações, comer em público, assinar com alguém a assistir, percorrer uma sala onde várias pessoas se encontram voltadas para si, etc.

Sintomas e possíveis consequências

Este sentimento de ansiedade (medo de algo que poderá vir a acontecer) pode ser extremamente poderoso e levar a pessoa a um ataque de pânico. É preciso, no entanto, não confundir a expressão muito utilizada “entrar em pânico” com estes ataques de pânico. A expressão usualmente dita refere-se normalmente a um estado de desespero momentâneo, enquanto que o ataque de pânico é algo com uma manifestação física, por vezes, muito forte. O coração acelera, a respiração torna-se ofegante e muitas vezes feita pela boca, a adrenalina é disparada como se uma situação de grande (ou máximo) perigo se tratasse, algumas pessoas podem sentir tonturas, desmaio, transpiração, tremores (especialmente das mãos e pernas) e os movimentos difíceis de controlar. Por vezes surge um medo de morte, noutros casos, medo de perder o controlo sobre o próprio corpo ou de ficar louco.

Compreender o que alguém com fobia social pode sentir quando em pânico

Um ataque de pânico é sentido com terror. Numa situação social, o medo apodera-se da pessoa e o corpo é quem fica ao comando para uma potencial fuga. Mesmo sabendo que este medo é irracional, quanto mais consciente disso estiver maior se torna o pânico, pois sabe que não está coerente com a realidade. A pessoa com fobia social sabe que esse medo não é racional, não adianta e será pior ainda, fazer alguém num ataque de pânico ter esses pensamentos. O corpo está pronto para a fuga pela sobrevivência, assim, tentar segurar a pessoa também é algo a não fazer. Nunca minimize o seu sofrimento! O melhor que pode fazer se alguém próximo de si está a ter um ataque de pânico é ficar calmo(a), tentar distrair a mente da pessoa do seu pânico, perguntar se ele / ela precisa de água, e não deixar a pessoa sozinha. A pessoa está com dificuldade de pôr a mente em ordem, e pode até mesmo fazer algo perigoso na necessidade de fugir. O terror dele(a) é bem real! Leve-o a sério!

Imagine que se encontra a conduzir um automóvel e que à sua frente surge em milésimos de segundos um violento acidente em que um carro é atirado e está a vir na direcção do seu… essa experiência que se sente no corpo é muitas vezes o que se experimenta nos ataques de pânico.

Relação com a depressão

Esta excessiva ansiedade perante situações sociais experimentada na fobia social pode, com o tempo e o cansaço que a ansiedade provoca, levar à depressão. Neste caso, a depressão aparece quando a pessoa que sofre de fobia social está tão cansada que desiste de tentar, começa a acreditar que nada pode fazer e que não está em causa.

O que é a Síndrome de Pânico (ou Transtorno de Pânico)?

Neste caso do acidente, existe realmente um perigo e como tal a reacção do corpo é considerada normal e apropriada; surgiu um medo que disparou a adrenalina e preparou o corpo para uma fuga rápida, mas quando isto acontece apenas porque alguém nos está a ver tomar um café, ou porque nos estamos a reunir com um potencial cliente, a situação é completamente diferente e pode mesmo dar origem ao síndrome de pânico (também chamado transtorno de pânico). A síndrome de pânico surge quando já existe pânico da situação de ter um ataque de pânico, ou seja, passamos a ter medo de ter ataques de pânico, e esse medo por si só pode dar origem ao próprio pânico.

Vou-vos contar um episódio que demonstra isto mesmo. Um dia, sentada num café, vi uma pessoa (minha conhecida) a chegar de carro. O pensamento de que poderia ir também ali ao café, provocou-me um ataque de pânico. Na verdade, a pessoa não foi ao café, dirigiu-se a outro sítio, mas tive de esperar uns bons minutos até que a minha respiração normalizasse e que os tremores abrandassem o suficiente para que conseguisse abrir o pacote de açúcar. Quando já conseguia abri-lo, os tremores estavam mais brandos mas ainda não o suficiente para acertar com o açúcar no café… não, realmente não é em nada parecido ao “tremer de frio”!

Nos dias seguintes, só de pensar na possibilidade de ir ao café e acontecer o mesmo, sentia um impulso no coração e a ansiedade a aumentar e parei de ir ao café. Isto é o síndrome de pânico, limitei-me por medo de ter ataques de pânico; aliás, só esse medo chegava por vezes a gerar um ataque de pânico. Em estados mais avançados, a síndrome de pânico pode levar a pessoa a limitar-se cada vez mais e a cortar mais e mais actividades da sua vida e finalmente tornar-se agorofóbica, deixando de sair de casa.

Auto-ajuda para a Síndrome de Pânico

A síndrome de pânico, como foi explicado anteriormente, é o resultado do medo de ter um ataque de pânico, logo, se esse medo não existir, todos os ataques de pânico com origem no transtorno não têm mais lugar dentro de nós.

Exercício

Pergunte-se a si mesmo quais as razões para ter medo de ter um ataque. Escreva cada uma delas numa folha de papel. Por cada uma dessas razões, coloque a sua veracidade em questão. É realmente verdadeira essa razão? Tem absoluta certeza de que é verdade? Os pensamentos estão sempre surgindo na nossa mente e somos nós que acreditamos ou não neles, a escolha é nossa, acontece porém, que por desatenção à veracidade desses mesmos pensamentos acabamos tomando-os como certos e verdadeiros; mas serão? Acreditar nesse pensamento faz o quê por mim? Quem sou eu acreditando nele? E quem seria eu se não acreditasse nesse pensamento? Coloque todas estas questões por cada uma das razões que apresentou para ter medo de ter um ataque de pânico. Esta técnica é parte do trabalho conhecido mesmo por “o trabalho” de Byron Katie, e faz-nos perceber que vivemos de acordo com aquilo que acreditamos.

Um exemplo deste exercício:

Componente física de um ataque de pânico

O que fisicamente acontece num ataque de pânico é uma resposta do corpo a algo de que podemos ter que fugir rapidamente, como é o caso de uma situação de perigo (ex do acidente que se aproxima), é um nível elevado de adrenalina no sangue, ou seja, fisicamente falando, é algo que muita gente paga para ter, ou fazendo paraquedismo, ou em corridas de motas ou carros, ou em máquinas de diversão em feiras, etc. Boa notícia: Isto quer dizer que o seu corpo e o seu metabolismo estão a funcionar bem! Outra notícia: Está querendo eliminar o que muitas pessoas pagam para ter!

Exercício

Este medo “de ter medo” (síndrome de pânico) é uma parte da pessoa, e não a pessoa, assim, fale com essa parte de si. Quando a sentir dê-lhe as boas vindas, ainda que para já lhe pareça absurdo, essa parte de si tem um objectivo positivo, ela pretende algo de bom para si, assim, agradeça-lhe por querer o seu bem, fale com ela, pergunte-lhe o que pretende, deixe que as respostas surjam na sua mente, se estiver receptivo surgirão. Reprimi-la só tornará o medo cada vez mais forte, em vez disso, aceite-a! Converse e mostre-lhe como a forma como essa parte está a tentar atingir o seu objectivo não está a funcionar.

Ao realizar estes exercícios vai verificar que o “medo de ter medo” dissipa-se, inclusivamente, no momento em que surge, só o início de conversa com a “parte” já torna difícil a continuação pois ela começa a ir embora… porquê? Porque ao conversar com ela deixou de ter medo dela, deixou de ter medo de ter medo!

Auto-ajuda para a Fobia Social

A fobia tem uma raiz feita de uma crença adquirida no momento em que a raiz se forma. Algures no nosso passado, recente ou longínquo, começamos a acreditar em algo que nos faz ter o comportamento de hoje. Poderá necessitar de orientação para limpar emoções negativas desse passado e ensinar o seu subconsciente uma nova perspectiva e aprendizagem, contudo, regra geral, alguns exercícios como os já referidos e os próximos serão suficientes, ou até mesmo os únicos necessários, para que o seu subconsciente e corpo colaborem consigo no que pretende.

Exercício

Pegue em duas folhas de papel. Escolha duas canetas, ou lápis, uma com a cor do seu sentimento de pânico e outra com a cor do sentimento que pretende ter perante essa situação. Agora, numa das folhas, chamemos a folha do pânico, faça, com a cor do pânico, desenhos que representem o seu estado de pânico, transmita por desenhos o que é esse sentimento, escreva também palavras que o descrevam, como por ex: pânico, palpitações, medo, etc. Desenhe-se a si nesse estado nessa folha, pode sobrepor aos outros desenhos. Quando sentir que essa folha está pronta passe à folha do sentimento que pretende. Desenhe com a respectiva cor, imagens que representem como se quer sentir e escreva palavras que descrevam esse sentimento. Pode inclusive por temperaturas, como “calor” / “frescura” etc. Desenhe-se aqui também no estado em que pretende estar perante essas situações.

Quando sentir que ambas as folhas estão de acordo com os sentimentos, pegue na folha do pânico com a mão esquerda e na outra com a mão direita. Coloque, de braço esticado, a folha do pânico na sua frente e sinta essa emoção. Quando ela surgir, sobreponha a folha do pânico com a folha da mão direita e vá dobrando o braço aproximando a folha do sentimento que pretende até o sentir ao mesmo tempo que afasta a outra folha. Baixe os dois braços e respire fundo. Repita o exercício várias vezes cada vez mais rápido, cada vez menos tempo na folha do pânico, há-de chegar o momento em que não consegue sentir o efeito da folha do pânico.

É interessante observar a mudança de respiração, a descontracção facial e abdominal que o corpo experimenta quando aparece a folha do sentimento que pretende…

Depois deste exercício, teste-o. Se não o pode fazer na prática, imagine. Imagine a situação de fobia social com o máximo de detalhes possível e verifique a mudança.

O que fazer num ataque de pânico

Este exercício não pretende reprimir o pânico; como já vimos, o pânico surge de uma parte de nós que apenas quer o nosso bem, ainda que muitas vezes de formas inapropriadas, e por isso é positivo fazer as pazes com ele.

Não esquecendo nem desprezando a conversa a ter com esta parte de nós, podemos acrescentar um exercício que acalma os sintomas e então conseguir a tão saudável conversa interna.

Exercício

Quando está a entrar em pânico acontecem duas coisas logo de início: a respiração acelera e o coração também. Esta respiração dá-se na caixa torácica, acima do diafragma e geralmente de boca aberta (razão pela qual a boca acaba por secar). Quando se aperceber que isto lhe está a acontecer, inspire lentamente pelo nariz, mas em vez de encher a caixa torácica, encha o abdómen, sustenha a respiração entre 2 a 3 segundos e expire pelo nariz lentamente. Repita esta respiração abdominal no mínimo 3 vezes. O coração imediatamente responde abrandando também com a respiração e todos os outros sintomas ou nem chegam a surgir ou, se já tinham aparecido, dissipam-se, uns mais rapidamente, outros demoram alguns breves minutos a desaparecer. Se já fez o exercício anterior (das folhas), pode visualizar a folha do sentimento pretendido. Pode também visualizar uma recordação que lhe tenha dado o sentimento que pretende ter neste momento, oiça também o que ouviu nessa memória (convém ter algumas pensadas com antecedência, como por exemplo agora mesmo, pois no momento do pânico há mais dificuldade de concentração para recordar memórias com determinadas características).

Conclusão

Vivemos as nossas crenças, fugindo dos nossos medos, acreditando nos nossos pensamentos sem tão pouco prestar atenção ao que pensamos… compete-nos a nós, como responsáveis que somos pela nossa pessoa, escolher aquilo em que acreditamos e os medos que pretendemos manter. Compete-nos a nossa qualidade de vida.

Este pensamento é-me útil? Faz-me bem? Em que melhora a minha vida se acreditar neste pensamento? Nota: Não esqueçamos que o sentimento de medo pode ser útil em muitas circunstâncias, ele existe para nos proteger de algo, porém, há casos de medos irracionais, onde não existe real perigo e que acaba por nos tirar qualidade de vida.

Seja feliz!

Lyndie N. Mornith© 2012 Todos os direitos reservados. Lyndie N. Mornith é Life Coach certificada.