Mind Imagine

Indice de Artigos

Estar em causa na sua vida

Dr Richard Bolstad

(Traduzido por in4chance)



O que significa estar em causa?

Imagine que mudar uma crença poderia prolongar a sua vida 15 anos, proteger os seus relacionamentos mais próximos de romperem, impedir que fique deprimido, mesmo nas circunstâncias mais difíceis, acelerar a sua cura, torná-lo um ser humano mais generoso e útil, e permitir que faça as mudanças de vida que sempre quis facilmente. Imagine que houve uma pesquisa que prova que uma crença pode tornar tudo isso possível. Este artigo é sobre essa crença: a crença de que uma vez que seja capaz de escolher o que pensa, pode criar o seu próprio futuro.

O pressuposto de que temos o comando do nosso cérebro e, portanto, a cargo os nossos resultados é citado por Robert Dilts como uma das ideias-chave que sustentam a PNL (Dilts, 1998, p 7-10). Aceitar este pressuposto é frequentemente chamado em PNL de "estar em causa". Talvez isto remeta ao metamodelo, um quadro de PNL que gera uma série de perguntas que podem (por exemplo) desafiar a crença de que os eventos externos "causam" os "efeitos" com que a pessoa lida. Na minha formação de profissionais de PNL, tento não só ensinar PNL, mas também compartilhar com as pessoas o que eu aprendi sobre como ser feliz. Cada vez mais acho que viver com este conceito (de estar em causa) responde praticamente à segunda questão (como ser feliz). Veja como -

A ideia de que estar em causa é útil remonta muito além da PNL, é claro. William James, um médico do século XIX, sofria de depressão grave. Graduar-se como médico aos 27 anos só o deixou mais deprimido e angustiado sobre a inutilidade da sua vida, que parecia pré-determinada e vazia. Em 1870, ele fez a descoberta filosófica que lhe permitiu sair da sua depressão. Esta foi a constatação de que diferentes crenças têm consequências diferentes. James andou intrigado por algum tempo sobre se os seres humanos tinham um verdadeiro livre arbítrio, ou se as suas acções são resultados determinados por influências genéticas e ambientais. Ele então percebeu que tais questões eram insolúveis, e que a questão mais importante é que crenças trazem o resultado mais útil ao crente. James descobriu que a crença no determinismo tornou-o passivo e impotente, e que a crença no livre arbítrio permitiu-lhe considerar alternativas, agir e planear. Descrevendo o cérebro como "um instrumento de possibilidades" (Hunt, 1993, P149), ele decidiu, "De qualquer forma, vou assumir para o presente, até o próximo ano, que não é nenhuma ilusão. O meu primeiro acto de livre arbítrio será acreditar no livre arbítrio. Vou dar um passo à frente com a minha vontade, não só agir com ela, mas também acreditar, acreditar na minha realidade individual e poder criativo". A depressão desapareceu e James tornou-se a figura central no desenvolvimento da "psicologia científica".

Neste artigo, gostaria de afirmar a escolha de James e sugerir algumas das implicações. Vou citar um pouco dos meus artigos anteriores, mas é por uma boa razão. Eu acho que é hora de reunir tudo num só sítio. Vamos começar!

A área do cérebro responsável pela responsabilidade

Chris Frith e colegas do Departamento de Neurologia Cognitiva Wellcome em Londres, fizeram um estudo com sujeitos deitados sob um scanner cerebral PET (Topografia de Emissão de Pósitrons) durante duas horas enquanto realizavam uma tarefa simples: levantar o dedo. Os pesquisadores, às vezes indicavam aos sujeitos para levantar o dedo esquerdo, outras vezes para levantar o dedo direito e, às vezes, para decidirem que dedo levantar. Os neurologistas viram uma área muito específica do cérebro acender quando a pessoa tomava a sua própria decisão: a área onde são feitas as decisões autónomas. Esta zona encontra-se no lado do córtex frontal (Carter, 1998, p 24). Na depressão clínica e em casos de esquizofrenia, onde a apatia é o principal sintoma, esta mesma área do cérebro está cronicamente sob-ativada (Carter, 1998, p 160). A pessoa deprimida não usa a habilidade de tomar decisões. Por outro lado, o abandono de tomar decisões leva a um ‘desligar’ dessa área do cérebro e à depressão.

O córtex frontal foi inicialmente estudado no século 19, quando um trabalhador ferroviário americano chamado Phineas Gage , em resultado de uma explosão, foi atingido por uma haste de aço fundido atravessando a parte frontal do crânio. Gage sobreviveu, mas a lesão transformou este trabalhador industrial num vagabundo bêbado. O médico descreveu o novo Gage como "às vezes pertinazmente obstinado, mas caprichoso e vacilante, elaborando muitos planos futuros que logo são abandonados - uma criança em capacidade intelectual e manifestações mas com as paixões animais de um homem forte." (Carter, 1998, p 25-28). Os neurologistas Russell Swerdlow e Jeffrey Burns, da Universidade da Virgínia, estudaram um caso equivalente no século XXI, um homem que com um tumor do tamanho de um ovo no córtex orbofrontal, e que perdeu, de algumas formas, o auto controle. O homem, antes um bem educado professor, encontra-se agora incapaz de controlar os seus próprios impulsos. Ele chamou a atenção da polícia quando começou a molestar as crianças, e a solicitar prostitutas em casas de massagem. Submetido pelo Órgão Jurisdicional a um Programa de Aconselhamento, começou a propor-se às mulheres no grupo de aconselhamento. Quando o tumor foi removido, estes comportamentos pararam completamente. Quando o tumor regressou, os comportamentos retornaram, voltando a desaparecer após a segunda cirurgia (Burns e Swerdlow, 2003).

Como estar em causa afecta os seus resultados sociais e psicológicos

Os clientes de psicoterapia que acreditam serem responsáveis pelos seus próprios resultados têm muito melhor desempenho em vários estudos com uma variedade de modelos diferentes de psicoterapia (Miller et alia, 1996, p 319, 325). Além disso, a pesquisa mostra que esta sensação de estar no controle não é uma "qualidade" estável que alguns clientes têm e outros não, ela varia ao longo de sua interação com o ajudante. A terapia bem sucedida tem mostrado resultar em primeiro lugar numa mudança no "locus de controle", e, em seguida, no sucesso desejado. Ou seja, primeiro os clientes mudam a sua crença sobre quem está ao comando do seu cérebro, depois então encontram-se capazes de fazer as mudanças que queriam (Miller et alia, 1996, p 326). Como pode esperar, a exposição à PNL aumenta-lhes a crença de que estão "em causa". No estudo de Psicoterapia PNL, Martina Genser-Medlitsch e Sch Pedro (?) Tz, em Viena (1997) verificaram que os clientes de PNL pontuavam mais do que os controles na sua percepção de si próprios, bem como no controle de suas vidas (com uma diferença de nível de significância de 10%).

Os terapeutas que transmitam esta sensação de estar em causa na sua forma de viver irão inspirar também os outros neste sentido. No início dos anos 1960 e 1970, os desenvolvedores de aconselhamento Robert Carkhuff e Bernard Berenson publicaram uma série de estudos que mostram que as interações de ajuda tendem a influenciar os clientes ou para melhor ou para pior. Eles identificaram várias medidas do funcionamento humano bem sucedido, e mostram que os ajudantes que funcionam bem nestas dimensões são também capazes de ajudar os outros a funcionar nessas mesmas dimensões. O ponto central destas medidas é a ideia de estar ao comando da sua vida. Os ajudantes que funcionem mal nestas dimensões realmente influenciam os clientes a deteriorarem-se no seu funcionamento! (Carkhuff e Berenson, 1977, p 5, p 35). Carkhuff e Berenson compararam a maioria dos psicoterapeutas com salva-vidas profissionais com extensa formação na navegação de um barco, de atirar bóias salva vidas e respiração artificial, mas sem a capacidade de nadar. "Eles não podem salvar o outro, porque, dadas as mesmas circunstâncias, não poderiam salvar-se a si próprios." Carkhuff diz: quando não se sentem capazes de executar as suas próprias vidas, os terapeutas são incapazes de comunicar esta habilidade crucial aos seus clientes.

Não estar em causa também traz danos a longo prazo aos relacionamentos pessoais. O psicólogo Social Daniel Gilbert estudou o tempo que demora o mal-estar de alguém após ter estado ou testemunhado uma interacção insultuosa (Gilbert et alia, 2004). As pessoas diziam, antes do estudo, que pensavam que iriam ficar mais tempo descontentes se um estranho rude as insultasse a elas do que se vissem um estranho insultar qualquer outra pessoa. Na realidade, ficaram muito mais agarradas ao seu descontentamento quando apenas o observaram. Isto parece estar directamente relacionado com a sua experiência de se sentirem incapazes de fazer algo acerca do insulto quando estavam apenas como observadoras. Gilbert observou que são os "pequenos" problemas, que as pessoas não se sentem capazes de fazer algo para resolver, os que mais distress causam a longo prazo. Relacionamentos acabam mais devido à falta de vontade de alguém ir pôr o lixo do que por questões maiores como um caso. Quando nos sentimos capazes de resolver problemas, estamos capazes de perdoar e de restabelecer a relação. No estudo dos relacionamentos cooperativos, o termo para "estar em causa" é "ser dono do problema". Quando alguém sente claramente que é "dono do problema" e está capaz de agir para fazer algo acerca dele, os problemas são resolvidos mais facilmente. Quando acreditam que não "têm o direito" de resolver o problema, os ressentimentos e mágoas permanecem.

Significa isto que as pessoas que "estão em causa" são mais egoístas e só se preocupam em resolver os seus próprios problemas? Pelo contrário! Há uma forte correlação entre a crença de que se está ao comando do seu próprio destino e a vontade de ajudar os outros, e há uma forte correlação entre a alta auto-estima e este comportamento de ajuda (esta pesquisa está tabelada em Midlarsky, 1984, p 299-300; e em Kohn, 1990, p 76-78). Aqueles que ajudam os outros tendem a ser aqueles que se sentem ao comando das suas próprias vidas.

Como estar em causa afecta o corpo

Estudo após estudo, a crença de que estamos ao comando dos nossos resultados é mostrada para ajudar a que aconteçam mudanças positivas no corpo. Steven Maier e Mark Laudenslager expuseram dois grupos de ratos a choques eléctricos (uma experiência não muito simpática, mas podemos ainda assim aprender pelos resultados consistentes). Um dos grupos de ratos podia controlar o choque eléctrico com uma alavanca, o outro grupo não tinha qualquer meio de o controlar. Num curto espaço de tempo, o sistema imunitário dos ratos sem controlo nos choques entrou em colapso enquanto os outros mantiveram-se saudáveis (Ornstein e Sobel, 1989, p 151). Num outro estudo, Maier e Martin Seligman descobriram que cães que passaram pela mesma experiência (de estar incapazes de controlar os choques) desenvolveram um estilo de comportamento a que chamaram de "Desamparo Aprendido". Em experiências subsequentes, os cães nem sequer saltavam para fora da arena que lhes dava os choques, tinham desistido de ser capazes de prevenir o problema. Seligman seguiu estas experiências estudando os seres humanos. Ele descobriu que a resposta dos seres humanos com este "Desamparo Aprendido" a eventos stressantes (tal como ir fazer um exame universitário) é a depressão (Seligman, 1997).

Ellen Langer e Judith Rodin trabalharam com um grupo de idosos num lar. A um grupo foi dada uma planta e foi-lhes dito que teriam que cuidar da planta, ao outro foi-lhes informado que (tal como cuidavam deles) os empregados do lar cuidariam da planta. Em poucas semanas, esta simples diferença no nível de controlo nas suas vidas reflectiu-se em diferentes resultados na saúde. Ao longo dos 18 meses seguintes, apenas metade dos residentes "em controlo" faleceram em relação ao número de falecidos do outro grupo (Langer, 1989).

Só o acreditar que pode controlar a sua saúde e cura faz isso acontecer. Praticamente não importa o quão "verdade" isso seja, nalgum aspecto teórico. R.C. Mason estudou um grupo de pacientes num hospital que ia realizar uma operação aos olhos semelhante. Antes da operação, os pacientes foram questionados se se sentiam confiantes tanto acerca da operação como com a capacidade de lidar com a situação caso corresse mal. Aqueles que estavam mais confiantes e se sentiam mais capazes de lidar com a situação foram os mesmos que recuperaram mais depressa (Ornstein and Sobel, 1989, p 246).

Lidar com o stress num estilo "pró activo" de "estar em causa" está associado com o aumento da actividade das células imunitárias (Goodkin et alia, 1992). Isto quer dizer, quando alguém está num estado em que sente que é responsável pela sua vida, e está a tomar decisões para o seu futuro, um exame às suas células imunitárias (linfócitos T para ser exacto) irá mostrar que estas células estão a proteger o corpo de infecções mais activamente e a eliminar células cancerígenas. De facto, as pessoas que adoptam uma forma de viver mais optimista vivem 19% mais, de acordo com um estudo de 30 anos da Mayo Clinic no Minnesota (Maruta, Colligan, Malinchoc, e Offord, 2000). O Dr. Toshihiko Maruta da Mayo Clinic diz "está confirmada a nossa crença do senso comum. Mostrou-se que a mente e o corpo estão ligados e que a atitude tem impacto no resultado final, a morte."

Crenças que parecem bloquear as pessoas de "estarem em causa" a) Poder Superior

Há certas crenças que, por implicação, parecem-me contradizer a ideia de "estar em causa". A principal é a crença de que um "Poder Superior" deve "estar em causa" e a crença de que a "mente inconsciente" deve estar em causa. Como eu valorizo grandemente os conceitos do poder superior e da mente inconsciente, quero aqui esclarecer a relação entre estas ideias e a ideia de "estar em causa".

Uma epítome da teoria do "poder superior" pode ser encontrada no Modelo dos 12 Passos da adicção. O primeiro passo em programas tais como os AA é "Admitimos que éramos impotentes perante o álcool - que tínhamos perdido o domínio sobre as nossas vidas". E o segundo passo é "Viemos a acreditar que um Poder Superior a nós mesmos poderia devolver-nos à sanidade". O grupo de AA original foi ainda um pouco mais explícito. O co-fundador dos AA, Frank Buchman, diz "O segredo é o controle de Deus. O verdadeiro patriota dá a sua vida para trazer a sua nação sob o controlo de Deus. Aqueles que se opõem a esse controlo são inimigos públicos" (Buchman, 1961, p 24).

Eu referi algures que essa pesquisa nos tratamentos de adicção não suporta a reivindicação do primeiro passo do programa dos 12 Passos. Mais de dois terços das pessoas com adicção que deixaram de beber álcool, fazem-no por si próprias sem ajuda. Estas pessoas têm melhores resultados a longo prazo que aquelas que optam pelos programas de tratamento: 81% daqueles que deixaram de beber por sua conta própria irão abster-se pelos próximos 10 anos, comparado com apenas 32% daqueles que vão aos AA (Trimpey, 1996, p 78; Ragge, 1998, p 24).

A adicção foi descrita pelos AA como estando além do auto-controlo, e é dito aos alcoólicos que apenas uma bebida é o suficiente para despoletar novamente o processo incontrolável da doença. As pesquisas invalidam esta afirmação consistentemente. Em 1973, o Psicólogo Alan Marlatt deu bebidas alcoólicas altamente aromatizadas a alcoólicos e descobriu que - desde que eles acreditassem que as bebidas não tinham álcool - eles bebiam apenas quantidades normais. Por outro lado, os alcoólicos a que foi dito que as bebidas continham álcool começaram a beber compulsivamente, ainda que as suas bebidas não tivessem. Estes estudos foram repetidos numerosas vezes sob condições variáveis. Aqueles que acreditavam que não tinham poder assim que tomassem uma bebida com álcool, tiveram muito mais insucesso em estudos a longo prazo. Um estudo de quatro anos seguiu 548 alcoólicos diagnosticados inicialmente tratados em 8 centros de AA diferentes e descobriu-se que apenas 7% geriram a abstinência, 18% agora bebiam socialmente sem instâncias de bebedeira. Neste estudo, aqueles que mais fortemente concordaram com o modelo de alcoolismo dos AA eram os mais prováveis de ter ainda problemas fortes com a bebida quatro anos mais tarde (Ragge, 1998, p 32-34). Pesquisas similares estão disponíveis para a recuperação dos fumadores, do abuso de heroína e da obesidade. Em cada caso, aqueles que compram a ideia de não ter poder têm piores resultados. Aqueles que recuperam melhor são os que não têm nada a haver com as teorias de estar impotente (Schachter, 1982, p 436-444; Peele, 1989, p 167-168; Trimpey, 1996, p 78).

Vamos imaginar por um momento que há um "Deus". Esse Deus realmente quer que não usemos o córtex frontal? É a área do "estar em causa" um truque do diabo apenas para subverter a obra de Deus? Acho que não. Para mim, cada sucesso positivo alcançado por "estarmos em causa" é uma celebração da natureza divina da vida humana. Não estou a dizer que os praticantes de PNL não devam ir aos encontros dos AA. Apenas que podem manter os olhos e ouvidos abertos quando o fazem.

Ser "espiritualmente inclinado" não tem que significar desistir de "estar em causa". Mahatma Gandhi, por exemplo, assumiu a tarefa aparentemente impossível de desafiar o maior império do mundo e expulsar a sua maior colónia. Ele claramente acreditava que o seu destino estava nas suas próprias mãos. Num dos seus artigos, ele cita uma carta muito bonita sobre isto, escrita a ele por uma pessoa com um inglês limitado. A carta diz "Os homens nasceram nus. Mas a eles duas mãos foram dadas. Nós pensamos que Deus deu o paraíso ao homem, mas Ele não o deu directamente ao homem. Ele deu-o indirectamente ao homem dando-lhe duas mãos - o poder de criar tudo e mais alguma coisa - para fazer ele próprio o paraíso no mundo presente. Então eu penso que o dever do homem é fazer o melhor uso das suas mãos."

Crenças que parecem bloquear as pessoas de "estarem em causa" b) A mente inconsciente

Num artigo recente, Carmen Bostic St. Clair e John Grinder sugeriram que existem alguns erros no código original da PNL. Um deles, disseram eles, é a falta de ênfase na mente inconsciente estar encarregue do trabalho de mudança ecológico (Bostic St Clair and Grinder, 2002). Eles descrevem um processo de mudança em que fizeram a pessoa entrar num "estado de saber nada" que é então ancorado às situações em que a pessoa quer mudar. Eles enfatizam que "Em momento algum o cliente tenta conscientemente formular que diferenças (nem o estado desejado, nem o novo recurso nem o comportamento preferencial) que desejam que ocorra nesse contexto. Assim, no fim da sessão, o cliente sabe que algo importante mudou mas tipicamente não tem acesso consciente às diferenças específicas que estão disponíveis."

Apesar de concordar com o valor de envolver a "mente inconsciente" em todos os processos de mudança, não penso que isso exija o descartar deliberado na mente consciente ou do "estar em causa". Tal como Bostic St. Clair e Grinder dizem, Milton Erickson enfatizou que a mudança é um processo inconsciente. Ainda assim, quando verificamos o trabalho de Erickson, percebemos que ele também compreendia que a mente consciente precisava de estar envolvida em qualquer mudança. O risco, caso contrário, é que a mente consciente se torne o "inimigo" da mudança. Ele diz (Erickson e Rossi, 1979, p 10) "Muitos pacientes reconhecem prontamente e admitem as mudanças que experimentaram. Outros com menos capacidade de introspeção precisam da ajuda do terapeuta para avaliar as mudanças que ocorreram. É necessário um reconhecimento e apreciação do trabalho de transe feito para que as antigas atitudes negativas do paciente não regressem destruindo as novas respostas terapêuticas que se encontram ainda num estado frágil de desenvolvimento".

Quando escalo uma montanha, a minha "mente inconsciente" ajusta a minha respiração e pulso para me permitir chegar lá. Tentar controlar estas funções irá apenas fazer gastar energia que posso usar muito melhor apreciando a paisagem. Mas eu não peço à minha mente consciente para decidir que montanha devo escalar. Nem tão pouco peço à mente inconsciente para "decidir" quando devo começar e quando devo parar de escalar. Da mesma forma, eu estou contente por ter a minha mente inconsciente a fazer os ajustamentos necessários que me assistem a alcançar os meus objectivos. Não estou interessado em ter a minha mente inconsciente a decidir que mudanças devo fazer. Na medida em que isto é o que penso que Bostic St. Clair e Grinder querem dizer, sugiro que a sua proposta levanta a questão "O que é a mente inconsciente?"

O que é a mente inconsciente?

Para entender como a "mente inconsciente" opera em termos neurológicos, deixem-me explicar um pouco sobre o cérebro e a memória. A certa altura da minha vida, eu precisei de usar a minha mente consciente para apertar os atacadores. Hoje em dia, a minha "mente inconsciente" executa essa função. O que é que eu quero dizer com esta última frase? Eu quero dizer que outra área do meu cérebro agora executa a minha estratégia de atar os atacadores automaticamente quando é despoletada pela visão dos meus sapatos desatados. Até uma pessoa severamente afectada pela perda de memória da doença de Alzheimer pode continuar por algum tempo capaz de atar os seus atacadores, porque essas estratégias estão armazenadas em áreas do cérebro menos afectadas por essa condição (Schacter, 1996, p 134-137). Estas memórias são chamadas "memórias processuais".

Há outro tipo de memória que os pacientes com Alzheimer também continuam a ter. O pesquisador de memória Daniel Schacter discute os resultados de uma experiência com palavras que revelam este outro tipo de memória. Primeiro, ele mostra às pessoas uma série de palavras em que cada uma delas é para ser cuidadosamente estudada por 5 segundos.

O primeiro grupo de palavras é: assassino, polvo, abacate, mistério, xerife, clima (na versão original: assassin, octopus, avocado, mystery, sheriff, climate).

Depois, ele mostra um segundo grupo de palavras e pergunta se alguma deste segundo grupo estava no primeiro grupo

O segundo grupo é: crepúsculo, assassino, dinossauro, mistério (na versão original: twilight, assassin, dinosaur, mystery).

Se a sua memória funcionar bem, vai reconhecer duas destas palavras no primeiro grupo. A seguir, Schacter pede às pessoas para completar as seguintes palavras inglesas preenchendo os espaços em branco

Terceiro grupo: es---lo, p-l-o, -ic--o -ap-o, -l-ma (na versão original: ch----nk, o-t--us, -og-y---, -l-m-te).

A maior parte das pessoas que viram o primeiro grupo de palavras têm dificuldade em detectar duas das palavras do terceiro grupo (esquilo e bicho papão) mas consideram bastante óbvio perceber o polvo e clima. Isto é porque a memória foi "primed" ao estudar o primeiro grupo de palavras. Agora, aqui está o interessante. O Priming também funciona para as pessoas com a doença de Alzheimer, que não se conseguem recordar se alguma das palavras do segundo grupo estava no primeiro. O Priming até funciona em pessoas expostas a informação falada quando estão inconscientes devido a anestesias! (Schacter, 1996, p 170-172). Enquanto que a memória consciente requer a activação do córtex frontal, as memórias inconscientes "primed" e as memórias inconscientes de um procedimento tal como atar os atacadores são armazenadas no cérebro bem mais profundo.

Estes outros tipos de memória/habilidade são inconscientes e são muito úteis. Nós não precisamos de tornar tais sistemas de memória conscientes. Infelizmente, estas memórias inconscientes operam em modo automático. Elas podem ser "primed" por qualquer estímulo irrelevante e até prejudicial com o qual a pessoa se depare.

Phineas Gage (lembremo-nos da história contada anteriormente), que ficou com o seu lóbulo frontal danificado, pode ser primed para agir compulsivamente a qualquer tipo de eventos aleatórios, tal como à disponibilidade de álcool no seu ambiente mais próximo. O que ele perdeu foi a sua capacidade de decidir a que coisas ele iria responder. A função do córtex cerebral é tomar decisões. Tomar decisões não pode ser "transferido para a mente inconsciente" porque a mente inconsciente é simplesmente aquelas áreas do cérebro que estão a funcionar sem as conscientes (incluindo o córtex frontal) tomadas de decisão.

A mente inconsciente, então, pode ser de confiança para fazer e lembrar muitas coisas que a mente consciente não pode fazer ou lembrar. Tem, de longe, mais recursos que a mente consciente. Mas não se pode confiar nela para tomar decisões por si. Se a consultar (quer por transe quer pelo uso de um pêndulo, cartas de tarot ou qualquer outro sistema de adivinhação) irá responder com o que quer que seja que tenha sido "primed" para responder.

É a sua vida para viver!

Então, aqui está. Uma crença que transforma a vida. A noção de que estamos "em causa" ou encarregues da nossa mente e dos seus resultados é central para a PNL, mas mais ainda; é central para desfrutar a vida. O córtex frontal parece ter um papel central em permitir-nos funcionar "em causa", e quando está inactiva, pode resultar em depressão e apatia ou em comportamentos impulsivos. Estar em causa está correlacionado com mudanças de sucesso em psicoterapia, com o libertar-se de emoções desagradáveis e com o comportamento altruísta. Fisiologicamente, estimula o sistema imunitário, aumenta a vida útil em 19%, e permite uma cura mais rápida. Uma crença que faz tudo isto!

Há dois tipos de crenças incapacitantes que vão contra a noção de estar em causa. Primeiro, existe a crença de que devemos abandonar a tomada de decisões para permitir que Deus esteja em causa. As terapias baseadas neste tipo de noção parecem ter taxas de sucesso mais baixas e pode ser mais útil aceitar que Deus nos deu um córtex frontal e duas mãos por alguma razão. Segundo, existe a crença incapacitante de que a mente inconsciente tem um mecanismo de tomadas de decisão mais ecológico do que a mente consciente. As habilidades inconscientes e memórias são primed quase sempre aleatoriamente, no entanto, e a função de tomadas de decisão do córtex frontal não pode ser passada para outra qualquer área do cérebro.

Tal como William James salientou, não podemos ter a certeza exacta de quanto estamos realmente encarregues das nossas vidas - mas essa não é a questão. A questão é se funciona melhor assumirmos que estamos encarregues das nossas vidas. Neste artigo, creio eu, existem evidências adequadas de que sim. Tal como com qualquer crença, se isto lhe for novidade, vai-lhe parecer estranho ou até mesmo falso à primeira vista. Deve isso a si mesmo para ir além e descobrir por si mesmo o que esta pesquisa está a mostrar. Se já tem essa crença, aqui estão ainda mais evidências de que está no caminho certo. Feliz aventurar!

Richard Bolstad é um trainer de PNL e professor de Chinese chi kung.

Richard Bolstad, Transformations International Consulting & Training Ltd